Banco Vermelho Gurupi - Presidente do TJTO ressalta importância das ações educativas no combate à violência doméstica

Rondinelli Ribeiro Fotografia colorida onde sete mulheres e um homem estão sentados em um grande banco vermelho, e em cada ponta do banco tem um homem de pé. Eles estão em um espaço aberto e no chão a grama verde toma conta, assim como um tapete vermelho em frente ao branco. De um lado do banco, junto de cada homem, tem um vaso com flores e um banner com algumas informações.

A educação como instrumento para o combate e prevenção ao feminicídio zero  foi ressaltada, nesta quarta-feira (11/12), durante a instalação do Banco Vermelho, no Parque Mutuca, em Gurupi, e a assinatura do Termo de Cooperação entre a prefeitura da cidade e o Tribunal de Justiça do Tocantins, realizada durante a passagem do programa “Justiça mais próxima e inovadora”. 

“O que é o mais bonito, o que é mais especial para a nossa campanha, é o que está por trás, que é a educação. A educação é que muda. Nós temos que mudar um padrão cultural, ou seja, todos nós temos que respeitar a vontade, a liberdade da mulher. Nós não queremos ser mais do que os homens, de forma alguma, nós queremos ter o nosso direito. E quando a gente fala em violência doméstica, ela não escolhe raça, grau cultural, classe social, ela está entremeada em todos os locais", enfatizou a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe. 

A desembargadora disse ainda que é preciso começar a falar sobre violência doméstica ainda na infância.  “É começando de pequenininho. E não é só os homens que têm as obrigações. Nós mulheres também temos que educar os nossos filhos desde pequenininho para respeitar as mulheres. Os homens também têm um papel muito importante nesse processo e nós mulheres também. Então, todos são responsáveis por esse processo. Todos nós precisamos realmente trabalhar, mudar a nossa mentalidade em relação à liberdade de uma mulher.”

A juíza da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Familiar, a juíza Cirlene Maria de Assis, explicou que, com o Termo de Cooperação, a prefeitura de Gurupi se compromete a desenvolver ações de prevenção à violência doméstica.  “O município se responsabiliza a manter o banco por cinco anos, ele não é fixo aqui, o nosso interesse é que ele seja um símbolo. Então, ele pode ser levado para todos os locais de grande circulação. E, de agora em diante, a prefeitura se compromete, durante cinco anos, a promover nas escolas municipais campanhas educativas e disciplinas de combate à violência contra a mulher, combate ao machismo, ao patriarcado e a realizar tarefas lúdicas com essas crianças para que levem a nossa mensagem de combate a todo tipo, toda forma de violência contra a mulher.”

Juiz da Vara Especializada no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Gurupi, Jossanner Nery reforçou que é preciso trabalhar a  prevenção da violência doméstica para que não culmine com o feminicídio. “Tudo é necessário para que a gente não aumente essa cifra do feminicídio, e essas campanhas educativas é o futuro que nos leva a ter dias melhores, assim como começamos com o Sinal Vermelho para poder fazer uma denúncia silenciosa, agora temos o Banco Vermelho para a conscientização, a educação escolar. Somente a mudança de cultura é que vai trazer dias melhores, porque se for só a nossa parte do Judiciário, a parte da polícia, a parte repressiva significa que nós já falhamos em vivermos em paz. Punir é muito tranquilo com o sistema normativo que nós temos, mas e a vida? A vida nunca volta mais.”

Diretora do Foro de Gurupi, a juíza Edilene Pereira de Amorim, disse que a instalação do Banco Vermelho na cidade representa “o início de um fim, o fim da violência doméstica, que seja um dia que a gente não precise mais estar reunidos discutindo uma situação tão bárbara. A perda da paz de uma mulher que começa às vezes numa palavra, depois um empurrão e depois, se isso não tiver um fim, termina na gente tendo que se justificar para uma família que o que nós podemos fazer é uma condenação, mas aquela pessoa nunca mais vai voltar.”

Cristina Donato, secretária da Mulher de Gurupi, na ocasião representando a prefeita Josi Nunes, reforçou que a administração pública já desenvolve ações nas escolas, como rodas de conversas, além de cursos profissionalizantes para as mulheres. “Nosso lema é uma por todas e todas por uma. É ninguém de fora. Nós mulheres precisamos proteger mulheres, nós precisamos dar as mãos. Nós temos o grande defeito de julgar, sentenciamos todas as mulheres que usam short curto ou estão numa balada. Nós precisamos entender que o bem maior é a vida e o segundo bem é a liberdade e toda mulher tem direito à vida e à liberdade.”

Como em Formoso do Araguaia, o evento iniciou com a apresentação da cantora Lara Oli, interpretando a música “A Rosa do Amor”. O evento contou ainda com a presença dos juízes Cibele Maria Bellezzi, Nilson Afonso da Silva e Odete Almeida; a diretora-geral do TJTO, Ana Carina Souto; o promotor de justiça, Rafale Alamy; o defensor público, Leandro de Oliveira Gundim; a advogada membro da Comissão da Mulher da OAB-TO, Amanda Parente; o presidente da Câmara de Veradores, Valdônio Rodigues; a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher e Vulneráveis, Valéria Lustosa; o presidente do Conselho Municipal da Mulher, Nilsem Santos; da Patulha Maria da Penha, o Tenene Aquino; a defensora pública, Chárlita Teixeira e as secretárias de Saúde e Infraestrutura de Gurupi, Luana Nunes e Juliana Passarim, respectivamente.

O Poder Judiciário do Tocantins, em parceria com as prefeituras, instalou o Banco Vermelho nos municípios de Colinas do Tocantins, Tocantinópolis, Miracema do Tocantins, Paraíso do Tocantins, Miranorte, Porto Nacional, Araguatins, Augustinópolis, Pedro Afonso, Formoso do Araguaia, Taguatinga,  Araguaína e Gurupi.





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