TJTO apresenta o espetáculo “Vozes Silenciadas” nesta segunda-feira (17/11) e resgata a história de força e liberdade de Paula

A imagem mostra uma ilustração de uma mulher negra idosa, com expressão séria, vestindo roupas simples em tom claro e um pano branco cobrindo a cabeça. À esquerda, sobre fundo marrom, aparecem os dizeres: “Musical ‘Vozes Silenciadas’ – A Luta de Paula por Liberdade”. No canto direito, há a indicação “ilustração gerada por IA”.

A coragem de uma mulher negra que se recusou a ser silenciada atravessa mais de um século e ganha nova vida no palco. Nesta segunda-feira (17/11), às 19 horas, o auditório do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), em Palmas, recebe o espetáculo “Vozes Silenciadas: A Luta de Paula por Liberdade”, montagem que ilumina uma trajetória real de resistência, memória e justiça. 

Realizada pelo Poder Judiciário do Tocantins, por meio da Comissão de Gestão da Memória e pela Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), a apresentação tem entrada gratuita e classificação livre, e traz ao palco uma história verdadeira que rompe o silêncio. 

Interpretada pela atriz e bailarina Meire Maria Monteiro, ao lado do Grupo Vozes de Ébano, Paula é apresentada ao público como uma mulher que, mesmo aprisionada pelas leis e costumes de seu tempo, ousou reivindicar sua humanidade. Em 1858, ela conquistou na Justiça o direito de comprar sua liberdade, três décadas antes da Lei Áurea.

A saga, registrada em documentos preservados pelo Judiciário tocantinense e digitalizados pela Esmat, tramitou na antiga Comarca de São João da Palma, hoje município de Paranã, no sudeste do Tocantins. A peça parte desse processo histórico de alforria para construir uma narrativa que costura passado e presente e conecta a escravidão de ontem às barreiras que ainda atravessam a vida das mulheres negras no Brasil.

 

Arte e memória

Idealizado pela desembargadora Angela Issa Haonat, o espetáculo reúne dramaturgia de Cinthia Abreu e Fran Santos, com direção-geral dos servidores do Judiciário, Whebert Araújo e Valdeir Santana. O resultado é uma encenação sensível, que alterna depoimentos poéticos, música ao vivo e dados reais sobre o racismo estrutural.

Obras marcantes como “O Canto das Três Raças”, “Zumbi”, “A Carne” e “Cota não é Esmola” dialogam com a narrativa de Paula, ampliando o impacto emocional da história. No palco, sua voz simboliza tantas outras que ainda lutam por respeito, dignidade e acesso à liberdade plena.

Para a desembargadora Angela Haonat, a história de Paula é um alerta vivo.


“A história de Paula é um símbolo da resistência feminina e negra. Sua coragem ecoa no tempo e nos convida a pensar nas ‘Paulas’ contemporâneas, que ainda enfrentam as correntes invisíveis do racismo e da desigualdade”, destaca.

Sobre o evento

O espetáculo integra a programação da II Semana de Diálogos sobre Igualdade e Diversidade, que será realizada nos dias 17 e 18 de novembro. A iniciativa busca fortalecer o compromisso institucional com a promoção dos direitos fundamentais, a partir de reflexões sobre Igualdade Racial, Diversidade Sexual, Equidade de Gênero, Comunidades Tradicionais e Acessibilidade.

Com carga horária de 8 horas-aula e inscrições abertas ao público, o evento tem início na segunda, com a abertura conduzida pela juíza Renata do Nascimento e Silva, coordenadora da iniciativa. Na ocasião, ela também ministra a palestra inaugural, convidando o público a refletir sobre os significados e desafios da igualdade no cotidiano do Poder Judiciário.

A programação conta ainda com nomes de referência nacional, como o desembargador João Marcos Buch (TJSC), o professor Rodrigo Ednilson (UFMG), a educadora indígena Eugislane Karajá (UFT), servidoras do TJTO e outros(as) convidados(as) comprometidos(as) com a promoção de um Judiciário mais plural, inclusivo e representativo.

A programação completa pode ser acessada clicando aqui.


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