Programa garantiu emissão de 10 mil documentos para indígenas

Aproximadamente 10 mil documentos foram fornecidos a índios, em 2012, pelo projeto Cidadania, Direito de Todos, uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O programa facilita o acesso dos indígenas à documentação básica e garante o exercício dos direitos fundamentais. De acordo com o balanço da Comissão de Acesso à Justiça e à Cidadania do CNJ, responsável pelo projeto, foram realizados, no decorrer de 2012, seis mutirões em aldeias para a entrega de documentos.

 

Inicialmente criado para atender aos índios que residem próximo aos centros urbanos, no ano passado, o programa passou pelas comunidades de Cacoal e Pedra Preta, em Rondônia; Aquidauana, no Mato Grosso do Sul; e Tocantínia, em Tocantins. A ação também foi realizada na cidade de Manaus, capital do Amazonas, e nas aldeias yanomamis e rupdahs de São Gabriel da Cachoeira, município amazonense localizado no Alto Rio Negro, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela.

 

Desde a criação do Cidadania, Direito de Todos, em junho de 2010, foram emitidos mais de 20 mil documentos para indígenas – entre registros de nascimento, carteiras de trabalho, carteiras de identidade, Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs) e Registros Administrativos do Nascimento Indígena (RANIs). A meta, no entanto, é garantir até julho a entrega de mais de 100 mil documentos, de acordo com o conselheiro Ney Freitas, presidente da Comissão de Acesso à Justiça e à Cidadania.

 

Por essa razão, a agenda nos primeiros seis meses de 2013 promete ser intensa. Estão previstos mutirões em comunidades indígenas do Paraná (região da Tríplice Fronteira), Rio Grande do Sul, Rondônia (Ji-Paraná), São Paulo, Mato Grosso do Sul (Caarapó), Maranhão, Paraíba (Baía da Traição), Pernambuco (Pesqueira), Amazonas (Tabatinga, Benjamin Constant e São Paulo de Olivença), Amapá (Oiapoque), Acre (Tarauacá), Minas Gerais (São João das Missões), Tocantins (Ilha do Bananal) e Mato Grosso (Xingu).

 

Programas sociais – Além de ter acesso à documentação básica, nos mutirões os índios também podem se inscrever nos programas de transferência de renda do governo federal ou mesmo se habilitar perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para receber benefícios como aposentadorias ou pensões. Segundo o conselheiro, a inclusão dos índios em programas sociais voltados ao resgate da cidadania é resultado das parcerias firmadas pelo CNJ desde a instituição do programa.

 

O principal acordo nesse sentido foi celebrado em fevereiro do ano passado, com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Associação dos Notários e Registradores (Anoreg) e a Defensoria Pública da União. Em sua grande maioria, os mutirões são realizados em conjunto por todos os parceiros, com o apoio dos tribunais de Justiça e dos governos dos estados onde as ações são realizadas.

 

De acordo com Ney Freitas, a realização desses mutirões, cada vez mais direcionados para as áreas com maior concentração de indígenas, deve aproximar o Brasil do índice de 6% de sub-registro – taxa tolerada pelos organismos internacionais. “A partir daí, a metodologia do programa precisará ser modificada para evoluir dos mutirões, que são ações emergenciais, para ações sistêmicas, que visem justamente a manter o sub-registro sob controle”, afirmou o conselheiro.

 

Giselle Souza

Agência CNJ de Notícias


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.