No Dia da Justiça, Exposição “Vozes Silenciadas” chama a atenção e provoca reflexões de visitantes que passam por shopping de Palmas

Elias Oliveira/CecomTJTO
No meio do movimento apressado do Shopping Capim Dourado, em Palmas, uma ilha instalada em um dos corredores do centro comercial faz quem passa diminuir o passo. Diante dos painéis que contam a história de Paula, mulher negra que, em 1858, conquistou judicialmente a própria liberdade, visitantes se aproximam como quem encontra algo curioso.

A Exposição Itinerante “Vozes Silenciadas – A luta de Paula por liberdade”, promovida pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), por meio da Comissão de Gestão da Memória e de Gestão Documental do TJTO, em parceria com a Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), em celebração ao Dia da Justiça (8/12), segue aberta à visitação até esta segunda-feira.

O dentista Wallace Mota e a nutricionista Cassiana Borges foram atraídos por uma fotografia, dessas que parecem chamar pelo olhar. “A história em si chamou muita atenção. A gente passou aqui e viu a foto. E essas histórias de escravos chamam muita atenção, principalmente nos dias de hoje, né? Que a gente sabe que hoje em dia existe escravidão de uma outra forma”, disse Wallace, que é nordestino, mas vive no Tocantins há mais de dez anos.

Ele lembra o quanto entender o passado também exige responsabilidade. “A importância é que isso aí sirva como um exemplo do que não deve ser feito. Esse legado tem que ser levado eternamente. Isso faz resgatar o valor do ser humano. A gente não pode admitir que isso aconteça de novo, de nada”, ressaltou.

Cassiana permaneceu atenta às imagens, absorvendo em silêncio o peso e a delicadeza daquela história.




O engenheiro civil Lucas Alencar Silva também parou diante da vitrine onde repousa o documento original do século XIX. Para ele, o choque veio misturado com pertencimento. “Eu gosto das minhas origens. Sou apaixonado pelo meu estado. A gente nunca para pra pensar que a escravidão aconteceu no nosso estado, mas aconteceu. E a gente tem documento disso”, afirmou o tocantinense da cidade de Colinas.

O texto manuscrito, já frágil pelo tempo, despertou algo que Lucas resume como direção. “Quando a gente conhece a nossa história, sabe o nosso futuro também. Sabe de onde a gente vem, sabe pra onde a gente vai. Ver tudo isso é extremamente valioso.”

Entre arquivos, luz e memória
Membro da Comissão de Gestão da Memória e de Gestão Documental do TJTO, o servidor Wherbert Araújo detalhou o percurso que trouxe o caso de Paula ao conhecimento público. “O processo já tem três anos que a Comissão tem ciência dos dados. Foi usada uma técnica chamada leitura paleográfica, feita por um professor doutor da UFT. Ele fez a transcrição do documento, e com base nisso observamos que era uma pessoa escravizada que entrou com uma petição no Judiciário da época, citando a venda da alforria dela. O documento fala que era uma pessoa com idade avançada e com uma moléstia visível, e que comprou a própria liberdade por 60 mil réis.”

A exposição teve início por Palmas, em maio deste ano, e passou por Araguaína e Gurupi. Agora retorna à Capital para trazer esse reencontro com uma história pouco conhecida.

“As pessoas ficam impressionadas. Pouco se sabe da história do Tocantins nos séculos anteriores. A memória mais recorrente é a criação do estado. Mas o documento mostra o modo de vida das pessoas que viviam aqui naquela época, quando ainda era a província de Goiás”, comentou.



Ouvidoria
Além de resgatar um capítulo essencial da história, a exposição instiga reflexões sobre cidadania, identidade e direitos. O TJTO também participa da mostra por meio da Ouvidoria Judiciária, que presta atendimento direto ao público e divulga os serviços oferecidos pelo Poder Judiciário. Até esta segunda-feira (8/12), servidores da unidade estarão no local para orientar visitantes e receber manifestações.
 

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