Na comarca de Almas, presidente do TJTO fala sobre a importância da reestruturação do Judiciário

 

“Nós estamos passando por uma revolução tecnológica, e essa mudança o Judiciário precisa acompanhar. Não estamos inventando a roda, mas nos preparando para o futuro. A nossa sociedade mudou, coisas novas surgiram e outras deixaram de existir e precisamos nos adaptar”.  Assim, o presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, trouxe para reflexão o tema de inovação para um público formado por servidores, integrantes do sistema de justiça e a comunidade de Almas, durante a abertura do Projeto Justiça Cidadã, na Comarca de Almas, nesta terça-feira (20/8). 

“Vamos precisar reestruturar as atribuições e as responsabilidades dos cargos. Temos o processo eletrônico e já estamos estudando o uso da inteligência artificial. Atuaremos com cartórios unificados na reestruturação administrativa de todas as comarcas, que já foi iniciada por Palmas, Paraíso, Porto Nacional e Tocantínia”, reforçou o desembargador.

O tema foi ressaltado também pelo diretor- geral do TJTO, Jonas Demostene Ramos, ao falar sobre a importância de se pensar no futuro com planejamento. “Precisamos ter eficiência administrativa. Temos quase um milhão e meio de jurisdicionados que devem receber um serviço de excelência. No Judiciário nada é feito por acaso. Estamos terminando em 2020 o cumprimento do planejamento estratégico e já trabalhando nas ações para os próximos seis anos”, afirmou, convidando a todos para participarem da construção do novo planejamento.

Comarca de Almas

A Comarca de Almas, considerada de pequeno porte, integra o grupo de 1ª Entrância, abrangendo ainda o município de Porto Alegre do Tocantins. Durante a abertura do projeto na unidade, o juiz e diretor do Foro, João Alberto Mendes Júnior, falou sobre a importância da ação do judiciário.  “Vossa Excelência é a sociedade que nos paga e mantém todo o Judiciário, por isso o Justiça Cidadã é fundamental para que nos aproximemos cada vez mais da comunidade,  inclusive com a preocupação com as novas gerações, crianças e adolescentes, que também foram lembradas na programação do projeto”, ponderou o magistrado.

O prefeito municipal de Almas, Wagner Nepomuceno Carvalho, participou do evento e parabenizou o Judiciário por promover uma maior aproximação com a sociedade. “Nosso povo de Almas é muito carente, a comunidade ficou anos e anos numa decadência de mandatos que não frutificaram. Essa reunião para nós é muito importante. Atuamos aqui com muita decência e buscando o bem da comunidade e isso passa pelo Judiciário”, afirmou.

Após a abertura, com uma grande participação da comunidade local, o presidente do TJTO respondeu perguntas de representantes da sociedade sobre a possível desinstalação da Comarca de Almas. “Afirmo que não tramita na Presidência nenhum projeto de extinção ou anexação da Comarca de Almas, mas, como já venho anunciando, o Judiciário do Tocantins está passando por reestruturação e os estudos envolvem todas as comarcas do Estado. Trabalhamos com critérios extremamente técnicos e com muita responsabilidade administrativa e também social. Toda possível mudança será tratada com transparência e diretamente com a comunidade e todos os integrantes do Sistema de Justiça”, explicou o presidente do TJTO.

Lei de Abuso de Autoridade

O desembargador Helvécio Maia voltou a falar sobre o projeto de Lei e Abuso de Poder, aprovado pela Câmara e Senado recentemente e que aguarda sanção da Presidência da República. “A independência funcional de delegados, agentes de polícia, militares, promotores de justiça e a imparcialidade dos juízes precisam ser mantidas. A lei é um retrocesso e registro aqui a minha indignação. Vivemos num Estado Democrático de Direito e, sem ele, teremos um regime totalitário, um regime agressivo, que não tem alternância de poder, não tem imprensa livre. E nós não nos identificamos com este tipo de país. Oremos para que o presidente Jair Bolsonaro exerça seu poder de veto a esse ato arbitrário”, enfatizou.

O tema também foi comentado pelo promotor de justiça da Comarca Luiz Francisco de Oliveira.  “Estamos vivendo momentos muito difíceis no Brasil. Com a sanção da Lei de Abuso de Autoridade, não há justiça cidadã. Com juiz fraco, promotor fraco, o sacrificado será o cidadão”.

Parceiros do projeto

Como nas demais edições, os parceiros do projeto participaram ativamente. Representando a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Tocantins, a vice-presidente Janay Garcia falou da integração do Sistema de Justiça em prol do cidadão. “Não tem como falar de Justiça Cidadã se não tiver a presença do advogado. A Ordem sempre vai defender os anseios da advocacia e também do cidadão, buscando lutar e promover realmente uma Justiça Cidadã”. 

A defensora pública Jade Sousa Miranda falou sobre a importância de se conhecer de perto a realidade, uma vez que o projeto percorrerá as 42 comarcas do Estado. “Conhecer a realidade local, buscando melhorar a qualidade do serviço prestado ao cidadão é um anseio de todos, mas só pode ocorrer com um bom planejamento e também ouvindo a sociedade e todas as instituições do Sistema de Justiça. O Justiça Cidadã demonstra o compromisso do Poder Judiciário com a sociedade tocantinense”.

Também acompanharam a abertura o juiz Jossanner Nery Nogueira Luna, representando a Associação dos Magistrados do Estado do Tocantins (Asmeto) e  coronel Alaídes Machado, coordenadora estadual do Proerd , programa parceiro do Justiça Cidadã.

Texto: Kézia Reis / Fotos: Rondinelli Ribeiro

Comunicação TJTO

 

 


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.