Justiça e coração por trás da toga

Fotos: Rondinelli Ribeiro A imagem mostra a mão de um juiz segurando um martelo de madeira, chamado de martelo de juiz, prestes a bater em uma base também de madeira. O fundo é uma parede de tijolos desfocada. A cena transmite a ideia de justiça e decisão.

Por trás de cada sentença e de cada toga, existe um ser humano que sente, escuta e age com o compromisso de fazer justiça, carregando consigo a esperança daqueles que encontram no Judiciário seu último refúgio. No Tocantins, esse ofício é exercido por 102 juízes(as) e 12 desembargadores(as), que se revelam nas varas, nas salas de audiência e, principalmente, no coração de quem escolheu a magistratura como missão de vida.

A rotina de um(a) magistrado(a) raramente cabe no imaginário popular. Entre a formalidade da toga e a solenidade das audiências, pulsa um coração que, diariamente, enfrenta dilemas complexos, histórias de dor, esperança e recomeço.

No Dia do(a) Magistrado(a), celebrado neste dia 11 de agosto, o TJTO compartilha histórias de quem constrói pontes para a pacificação social e que, com equilíbrio, sensibilidade e justiça, transformam vidas a cada sentença. Hélvia Túlia Sandes Pedreira e Cledson José Dias Nunes são magistrados(as) com trajetórias distintas, mas unidas por um mesmo propósito: servir à sociedade com justiça e humanidade.

 

Justiça como instrumento de transformação

Magistrada há quase três décadas, a juíza Hélvia Túlia é titular da 3ª Vara da Família e Sucessões de Palmas e responde também pela Vara de Família e Sucessões, Infância e Juventude de Paraíso do Tocantins.

Mulher, mãe, avó, professora e, sobretudo, pessoa, sua trajetória começou longe da toga. Em meio a uma família sem histórico de ensino superior, cursou simultaneamente Direito e Agronomia, até se encontrar de corpo e alma no mundo jurídico, motivada pela crença de que o Direito é um fator de transformação social.

Na Vara de Família, onde os conflitos envolvem relações afetivas, rupturas e disputas por guarda de filhos, o desafio vai além da letra fria da lei. A juíza define com precisão o que significa julgar com o coração sem perder o olhar técnico para cumprir o que está na lei. “Decidir um processo é mais fácil do que resolver o conflito familiar que está por trás.

É preciso proteger crianças que não são autoras dos litígios, mas que estão no centro deles.” Mas segundo ela, decidir vai muito além de aplicar a lei.

“Não é só decidir com justiça, é tentar olhar de forma humana para as pessoas que estão envolvidas no processo. A minha grande preocupação é dar voz às crianças e adolescentes, para que eles não sejam apenas sujeitos no papel, mas protagonistas de suas próprias histórias”, diz a magistrada reforçandoque a escutar é essencial no processo para humanizar a decisão.

“A gente, às vezes, nem se apercebe do impacto que causa na vida de alguém. São pequenas decisões que, silenciosamente, transformam realidades”, pontua ao se lembrar de uma situação que lhe marcou. Uma mulher a abordou anonimamente em uma loja, agradecendo por uma decisão que mudou o destino do filho: um exame de DNA viabilizado pela magistrada garantiu não só o reconhecimento de paternidade, mas o acesso a direitos fundamentais após a morte do pai.

Entre decisões, audiências, atividades acadêmicas e a rotina familiar, Hélvia Túlia encontra equilíbrio na leveza e na gratidão. “Tento ser leve, ser grata. Acordo todos os dias agradecendo a Deus pela vida, pela saúde e por ter um trabalho que me permite viver com dignidade”, afirma.

"Ser magistrada é a minha missão de vida", resume.

 

Julgar com seriedade, atenção e humanidade

Se na Vara de Família as decisões moldam o futuro de núcleos familiares, na 1ª Vara Criminal de Palmas, as sentenças podem alterar o curso de comunidades inteiras. É nesse cenário que o juiz Cledson José Dias Nunes atua desde 2019, após mais de 12 anos trabalhando no interior do Estado.

Com uma rotina intensa e planejada, ele divide o tempo entre audiências, sessões do Tribunal do Júri e a análise de processos que exigem decisões rápidas e fundamentadas. Mas, por trás da formalidade, está alguém que reconhece a dimensão humana do cargo.

Juiz Cledson Nunes, de terno, camisa branca, gravata azul e uma toga por cima durante audiência

“Juiz não é super-herói. Temos as nossas fragilidades. É preciso preparo psicológico para lidar com conflitos que vão de pequenas desavenças a crimes contra a vida. Cada processo traz a história de uma ou várias vidas. Nosso papel é harmonizar interesses, restaurar a paz social”, enfatiza.

Entre tantas experiências já vividas na magistratura, Cledson Nunes guarda na memória um mutirão realizado em Mateiros, no Jalapão, onde foram levados serviços da Justiça a comunidades isoladas. “Pessoas em situação de vulnerabilidade tiveram acesso a direitos que buscavam há anos. É nesses momentos que sentimos o real alcance da nossa função.”

Ao refletir sobre o papel da magistratura, ele é categórico: “Ser juiz é sacerdócio. Cada decisão exige responsabilidade, seriedade e atenção. Mas também exige humanidade. Porque, por trás de cada processo, existe alguém que precisa ser visto e compreendido.”

Sua paixão pela profissão nasceu da observação da realidade e do incentivo da família para estudar. “Sempre tive esse sentimento de justiça, e fui levado por esse caminho. A magistratura foi me conquistando com o tempo.”

E foi exercendo a magistratura que Cledson Nunes descobriu que essa era a sua missão. “Mesmo com os desafios e a responsabilidade, me sinto realizado. Ser magistrado é entender que, por trás do papel e das palavras, há vidas em jogo, e que é preciso decidir com seriedade, atenção e humanidade.”

 

Compromisso com a sociedade

As histórias dos magistrados Hélvia Túlia e Cledson Nunes revelam que o compromisso com o ser humano é o que há de mais essencial no Judiciário. Eles representam centenas de magistrados e magistradas tocantinenses que, todos os dias, enfrentam desafios com ética, sensibilidade e coragem na construção de um Judiciário cada vez mais próximo da sociedade.


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