Judiciário promove debate sobre aplicação da Lei Maria da Penha

Com o objetivo de criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, há 11 anos a Lei Maria da Penha foi sancionada no Brasil. Nesta quinta-feira (31/8), o Poder Judiciário promove um encontro para debater principais discussões jurídicas acerca da aplicação da lei. O evento, realizado no auditório do Tribunal de Justiça, é transmitido, ao vivo, para todas as comarcas do estado.

A abertura do curso, promovido pela Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), foi feita pelo presidente do TJTO, desembargador Eurípedes Lamounier, que já atuou como titular da Vara Especializada no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, na comarca de Palmas.

O magistrado ressaltou o pioneirismo da legislação em demarcar o caráter específico da violência de gênero  e a importância deste ato para modificar a compreensão da sociedade a respeito deste tipo de crime, muitas vezes banalizado.  "É preciso ter em mente que a existência, por si só da lei, não significa a solução de todos os problemas de violência doméstica. É necessária a implementação de políticas públicas, a realização de debates como este e, acima de tudo, ações efetivas para que se possibilite o funcionamento do sistema e da rede de proteção", frisou.

O presidente ainda ressaltou os avanços conquistados pelo Judiciário neste sentido. Hoje, o Tocantins conta com três varas especializadas  e o Comitê de Monitoramento do Combate e Prevenção à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CPVID). "Tanto o Comitê como as Varas não têm medido esforços no sentido de priorizar todos os dias a resolução dos processos em andamento, bem como desenvolver ações e projetos no sentido de divulgar, educar, e disseminar a política de combate à violência doméstica", destacou.

Para a coordenadora Estadual da Mulher no Poder Judiciário, juíza Nely Alves da Cruz, o encontro é fundamental para abordar as mais diversas questões da lei e discutir maneira de como avançar no combate a este tipo de crime. "É muito importante debater, porque a violência tem vários ângulos e, apesar dos 11 anos da lei, ainda temos muitos pontos a serem discutidos", ressaltou.

Participaram ainda da abertura do evento o juiz da Vara Especializada no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Gurupi, Ademar Alves de Souza Filho; a coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, juíza Umbelina Lopes; o coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, juiz Antônio Dantas; a juíza da 2ª Vara de Família e Sucessões de Araguaína, Renata Teresa Macor; a promotora de Justiça Flávia Rodrigues; diretores e servidores do Poder Judiciário; professores e acadêmicos.

Palestra

No período da manhã, a doutora em Direito Penal, Alice Bianchini, abordou a violência contra a mulher baseada no gênero e ressaltou a histórica desigualdade entre homens e mulheres como um dos principais desafios para a efetivação da lei. "Apesar da Lei Maria da Penha ser considerada uma das três mais avançadas do mundo, o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres; há uma interligação entre a desigualdade de gênero e a violência de gênero. Por isso a legislação não se materializa", alertou.

Conforme estudo realizado pela palestrante, as divergências de interpretação da lei estão baseadas no ponto de vista de três grupos: os resistentes, os que apoiam apesar de não compreenderem corretamente a lei, e os que apoiam e compreendem. Essa divisão, segundo Alice, contribui para que existam, atualmente, mais de 100 questões controvertidas sobre a Lei Maria da Penha. "Se eu tenho um grupo que resiste, ele pensa de determinada forma; já o que não compreende direito a lei vai ver a mesma questão de uma maneira diferente, assim como os que são a favor e compreendem. Por isso os diversos posicionamentos sobre os fatos, que barram a efetividade da legislação", disse.

À tarde, o encontro segue no auditório do TJTO com mesa redonda sobre o tema "Mulheres, maiores vítimas da pornografia vingativa". Irão abordar o assunto, as palestrantes Valéria Raquel Pereira Martirena, advogada; e Vitória de Macedo Buzzi, autora do livro Pedofilia: “Fatos baseados na vida real”.

Dados

No Tocantins, somente nos primeiros cinco meses do ano, foram registrados mais de 1.400 casos de violência contra a mulher.  São ameaças, lesões corporais, estupros, tentativas de assassinato e mortes. Ao todo, 17 mulheres perderam a vida neste período.

 

 

Paula Bittencourt - Cecom TJTO

Fotos: Rondinelli Ribeiro - Cecom TJTO 


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.