Visitantes se surpreendem com arte, arquitetura e história do STF

Criado para ser o guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal (STF) não só cumpre esse papel nas decisões do colegiado, como guarda um dos cinco exemplares originais da Carta Magna de 1988. Essa é apenas uma das relíquias, entre objetos de arte, mobiliário histórico, fotos e documentos que podem ser vistos pelas centenas de pessoas que visitam a sede da Suprema Corte em Brasília (DF) aos finais de semana e feriados. Uma verdadeira viagem por 200 anos de história da Justiça brasileira.

O exemplar original da Constituição de 1988, com conteúdo conhecido de todos os brasileiros, é uma das obras que sempre chama a atenção dos visitantes. Foi o caso da carioca Roseni Lima Alves, 46 anos, que embora esteja morando em Brasília há um ano e meio nunca havia entrado na sede da Suprema Corte até o último final de semana, quando aproveitou a visita de um colega da filha à capital federal para fazer o passeio.

Ela conta que ficou encantada com o original da Constituição e a galeria dos presidentes, que traz as fotos de todos os dirigentes do Supremo, desde 1829. “Sempre tive interesse em conhecer o edifício e entender melhor o funcionamento da Justiça. Com a visita, adquirimos ainda mais respeito pelo trabalho do Judiciário. Todo brasileiro deveria fazer esse passeio”, destacou.

A visitação faz parte do Projeto Portas Abertas do STF, criado há 10 anos, com o objetivo de permitir aos cidadãos não só conhecer a estrutura física da maior Corte do país, como entender o funcionamento e a história do Judiciário. As visitas são gratuitas e acontecem aos finais de semana e feriados das 10h às 17h. São formados grupos de no máximo 30 pessoas, guiados por um servidor do Tribunal que presta informações aos visitantes.

No último sábado (21/1), o professor Luiz Henrique Azevedo de Paula, de Caratinga (MG), desembarcou em Brasília e foi direto ao STF. “Foi muito bom conhecer o local onde são tomadas as principais decisões do país. A visita é importante para os cidadãos saberem que têm o direito de conhecer e participar do processo decisório do país”, afirmou o professor após concluir o passeio.

Projetado por um dos maiores mestres da arquitetura, Oscar Niemeyer, o palácio que abriga o STF é símbolo de modernidade e atrai a atenção não só de brasileiros, como de turistas estrangeiros. Foi em busca das obras de Niemeyer e dos traços de Lúcio Costa que a engenheira Catalina Cardona, 34 anos, e o arquiteto Ivan Forgioni, 31 anos, ambos da Colômbia, incluíram Brasília na programação de 10 dias em terras brasileiras. “O edifício do STF é muito charmoso e a história encantadora”, ressaltou Catalina. Forgioni, que na Colômbia cursa um mestrado em arquitetura moderna, disse que levará toda a experiência da visita na bagagem para compartilhar com os colegas. “Conheço muito a teoria, mas aqui estou vendo como os conceitos funcionam na prática”, afirmou o estudante.

História

Pela primeira vez em Brasília, o pernambucano George França, 19 anos, é outro que levará para Recife, sua cidade natal, muitas informações para dividir com os amigos de faculdade. Estudante de História, ele escolheu a capital para passar as férias em busca de fatos históricos que marcaram a trajetória do Brasil. “Era um sonho antigo”, revela George, que escolheu o STF para iniciar o passeio cívico pela capital federal.

Ele conta que ficou surpreso com o Hall dos Bustos, onde estão expostas peças de bronze em homenagem a grandes personalidades da história brasileira como o jurista Rui Barbosa, o abolicionista Joaquim Nabuco e o imperador D. Pedro I. “É uma representação merecida de toda a história da Justiça e do Brasil”, concluiu.

Explorar as curiosidades dos 200 anos de história viva guardada nos corredores da Suprema Corte é a especialidade dos guias que conduzem os visitantes. No passeio, os turistas descobrem, por exemplo, que a cor amarela do Plenário do STF é uma referência à bandeira brasileira, da mesma forma que o do Senado é azul e o da Câmara verde. O local onde os ministros debatem e tomam as decisões que influenciam diretamente a vida de todos os cidadãos também abriga obras de arte, como o painel de Athos Bulcão e o Crucifixo de Alfredo Ceschiatti, que simbolizam, respectivamente, a justiça dos homens e a justiça divina.

São essas curiosidades que há mais de 10 anos encantam o servidor do STF Wemerson Pereira da Silva, o guia mais antigo da visitação. Ele conta que todos os finais de semana mergulha na história do Brasil a cada grupo que conduz pelos corredores do Supremo. “Contar a história do STF é retornar ao colegial e abordar o assunto com detalhes que os livros não trazem”, relata. Para ele, o ápice da visita é o momento em que conta a trajetória de Rui Barbosa, um dos principais juristas brasileiros e coautor da Constituição da Primeira República. O ícone brasileiro está representado no Hall dos Bustos com uma estátua de bronze.

Além da história e da arquitetura, no STF os visitantes têm contato com diversas obras de arte e objetos da época do Império. Inspirada na deusa grega Têmis, a obra de Alfredo Ceschiatti, de 1975, adorna a porta simbólica que dá acesso ao Plenário onde os ministros da Corte reúnem-se para a missão de zelar pelo cumprimento da Constituição Brasileira.

No Salão Nobre, local onde são recebidas as autoridades de outros países em visita oficial ao Brasil, é possível apreciar um mobiliário francês de 1870, lustres de cobre e cristal e tapeçaria antiga.

Móveis da época do Império feitos de Jacarandá e um painel comparativo entre o Plenário do século XIX e o dos dias de hoje também podem ser vistos na visita. No hall do Salão Nobre, a primeira cabine telefônica instalada na Suprema Corte e um manequim trajando a roupa antigamente utilizada pelos ministros em sessões solenes de posse de novos integrantes do STF são algumas das relíquias em exposição.

Serviço

A visita é gratuita e pode ser feita aos sábados, domingos e feriados das 10h às 17h, com saídas regulares de 30 em 30 minutos, sempre com acompanhamento de um guia. Nesses dias não é exigido traje específico.

Endereço: Praça dos Três Poderes - Edifício-Sede, Brasília/DF.

Informações: (61) 3217-4058 e (61) 3217-4038

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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