Entre atendimentos e histórias, segundo dia do Registre-se reúne moradores em busca de acesso a direitos

Maria Karolina/Ascom CGJUS Sala com diversas pessoas sentadas em cadeiras, participando de atendimento ou reunião coletiva. Ao fundo, duas atendentes realizam orientações em um espaço organizado, indicando ação social ou prestação de serviços à comunidade

Para quem vive sem documentos, o básico vira dificuldade. É essa realidade que a 4ª Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se busca transformar e que ganhou continuidade no segundo dia de atendimentos nesta terça-feira (14/4), no Cras Karajá II, no setor Santa Bárbara, em Palmas. A iniciativa é coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e executada pelas corregedorias estaduais em todo o país, com programação até o dia 17. 

Entre os atendimentos do segundo dia da ação, o caso de Luciane Castro da Silva evidencia um problema comum enfrentado por quem depende da regularização civil para acessar direitos básicos. Sexta pessoa a chegar à fila do Cras Karajá II na manhã desta terça-feira, a moradora do setor Santa Bárbara, onde vive há quase 10 anos, busca corrigir o registro de nascimento do filho mais novo, Mateus.

A situação tem origem em um período em que a família reuniu documentos para um processo de acesso à moradia popular, quando acabou perdendo a certidão de nascimento do filho. Ao tentar emitir a segunda via, identificou um erro na grafia do nome no registro civil, o que impede a regularização dos dados. Mesmo com RG e CPF já emitidos, a inconsistência trava o acesso a serviços que exigem a documentação completa e correta. “Quando fui resolver, vi que não dava certo e no cartório era caro demais pra minha realidade”, relata.

Com o filho prestes a completar 18 anos e diante da necessidade de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a regularização se tornou urgente. Luciane recorreu ao Registre-se como alternativa para resolver a pendência sem custos. “Agora vim resolver tudo porque não dá mais pra esperar. Sem o documento certo ele não consegue seguir, estudar, fazer as coisas. Aqui é uma oportunidade que a gente não teria sozinha”.

Entre uma senha e outra, surgem relatos de quem está há meses tentando resolver pendências simples, mas que acabam travando o acesso a trabalho, renda e serviços básicos. Moradora antiga do setor, Maria Domingas Gonçalves chegou ao atendimento acompanhando a nora, que tenta regularizar a própria identidade para conseguir trabalhar. “Ela chegou para cá esses tempos e está sem identidade. Quer resolver para poder arrumar as coisas dela, mas não consegue receber sem documento”, explica.

Há cerca de dois meses em Palmas, Eleni Oliveira Silva tenta atualizar o documento que já não atende mais às exigências legais. “Tenho identidade, mas está velha, precisa trocar. Sem isso não consigo resolver minha vida”.

A movimentação no local também abre espaço para quem aproveita a estrutura para cuidar de outras necessidades básicas. Moradora do Taquari, Creusilene Barbosa não perdeu a chance de passar por atendimento oftalmológico. “Fiquei sabendo ontem e vim. Quando teve lá no meu setor eu não vi, aí não quis perder dessa vez. Minha filha viu e me avisou, já me organizei pra vir cedo e garantir o atendimento.” Com uma mancha no olho esquerdo, a atendida passou por avaliação e já saiu com encaminhamento para novos exames. “Foi rapidão, muito bom”, diz, destacando a agilidade do serviço. 

Serviços

O mutirão oferece emissão gratuita de segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito, além de orientações jurídicas, com prioridade para pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. Os atendimentos seguem até sexta-feira (17/4), em pontos estratégicos de Palmas. Nos cartórios de Registro Civil, o horário é das 9h às 17h. Já nos Cras, os atendimentos ocorrem conforme cronograma:

13 e 14 de abril (segunda e terça-feira)
CRAS Karajá II (Santa Bárbara)

15 de abril (quarta-feira)
CRAS Karajá I (Aureny III)

16 de abril (quinta-feira)
CRAS Krahô (1.304 Sul)

17 de abril (sexta-feira)
CRAS Kanela (407 Norte)

A ação conta com a participação de instituições como Tribunal de Justiça, Prefeitura de Palmas, Governo do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB Tocantins, Instituto de Identificação, forças de segurança, cartórios e entidades comunitárias.


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