26ª em casos de violência contra a mulher, Ananás recebe Banco Vermelho do TJTO

Lucas Nascimento Imagem mostra diversas pessoas em pé e agachadas em frente ao monumento banco vermelho em Ananás

Com 444 vítimas de violência doméstica registradas nos últimos anos, Ananás passa a contar com um novo símbolo de enfrentamento ao feminicídio. O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) instalou, nesta segunda-feira (4/5), o 27º Banco Vermelho do Estado, na Praça Central São Pedro, no encerramento da programação do JUS em Ação, com um chamado público à reflexão e à ação.

Dados da comarca reforçam a urgência da iniciativa. Entre 2021 e 2024, o número de vítimas cresceu 35,6%, passando de 73 para 99 registros. No período, foram solicitadas 170 medidas protetivas, com 158 concessões, o que representa taxa de deferimento de 94,30%. Atualmente, Ananás ocupa a 26ª posição no estado em número de casos, cenário que exige a continuidade de estratégias para conter e reduzir a violência contra a mulher.

Com quatro metros de comprimento e 1,80 metro de altura, o Banco Vermelho foi instalado como um marco visível de combate à violência. A intervenção transforma o espaço público em ponto permanente de conscientização e mobilização social.

Pacto

Durante a passagem da caravana JUS em Ação por Ananás, foi assinado o Termo de Cooperação que consolida o compromisso entre o Judiciário e o município no enfrentamento ao feminicídio.

A presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, destacou que a instalação do Banco Vermelho integra o conjunto de ações levadas pelo projeto JUS às comarcas e amplia a presença institucional no enfrentamento à violência.

A juíza diretora do Fórum da cidade, Wanessa Lorena Martins de Sousa, ressaltou que iniciativas de proteção à mulher fortalecem a cidadania, os vínculos familiares e a pacificação social.

Segundo a coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), juíza Cirlene Maria Assis, o banco é um símbolo mundial de combate à violência contra a mulher e deve ser ocupado como um espaço de diálogo e conscientização. A magistrada ressaltou que a atuação não pode se limitar à repressão, já que, mesmo com penas elevadas, os casos continuam crescendo. Para ela, o caminho está na prevenção e no fortalecimento da rede, com o compromisso de cada instituição e de cada cidadão nessa luta.

O prefeito de Ananás, Robson Pereira da Silva, reforçou a relevância da ação e falou da sua alegria de ver o movimento acontecendo em Ananás, com a participação de autoridades e comunidade. “Esperamos avançar cada vez mais na proteção das mulheres e na construção de uma sociedade mais justa”, disse.

Rede articulada

A ação integra um conjunto de iniciativas coordenadas pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), que atua de forma articulada com forças de segurança, órgãos públicos e instituições de apoio.

Em reunião com a Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência da região, a coordenadora da Cevid, juíza Cirlene Maria Assis, manifestou preocupação com casos de violência sexual contra crianças e adolescentes e destacou a importância da atuação integrada.

Pela manhã, a magistrada apresentou aos servidores da comarca o Programa de Proteção, Acolhimento Humanizado e Solidário às Mulheres do Poder Judiciário do Tocantins (PAHS), voltado ao acolhimento e suporte às vítimas.

Educação como prevenção

O enfrentamento à violência também passa pela formação de consciência. Em Ananás, estudantes da rede pública participaram das oficinas do projeto “Banquinho Vermelho”, realizadas nos períodos da manhã e da tarde, na Escola Municipal Leontino Pereira de Sousa.

As atividades envolveram mais de 100 crianças, com idades entre 9 e 10 anos, do 5º ano do ensino fundamental. De forma lúdica, foram abordados temas como respeito, igualdade e prevenção ao ciclo da violência, com fortalecimento da construção de uma cultura de paz desde a infância. 


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima