Registro Itinerante: Judiciário ajuda a escrever um capítulo especial na história de vida da população de Araguaína

Corregedoria Imagem colorida que mostra duas mulheres sendo atendidas por outra mulher em uma sala com outras pessoas (homens e mulheres sendo atendidos)

Acompanhada de sua mãe, Ketlyn Mendes, de 20 anos, chegou ao mutirão do Registro Itinerante em Araguaína com um objetivo claro: inserir o nome social no seu registro de nascimento. Desde os 13 anos, ela se reconhece como mulher e a alteração do nome na certidão de nascimento é uma conquista significativa.

"Desde criança, sempre me vi como Ketlyn. É uma sensação tremenda, a realização de um sonho e uma conquista pessoal", compartilhou, afirmando que ser reconhecida pelo nome correto não é apenas uma questão prática, mas uma afirmação de sua identidade e respeito.

Sempre ao lado da filha, Luciana destacou a importância do momento: "Sempre apoiei minha filha. Realizar essa mudança é um sonho para nós e finalmente conseguimos aproveitar essa oportunidade".

Letra trocada

Alessandra Morais Laurido também aproveitou o mutirão para resolver um problema que há 42 anos a incomodava. Uma letra trocada na hora do registro de nascimento mudou o sobrenome dela e a situação já causou constrangimentos e dor de cabeça. "A sensação de carregar um nome errado por tanto tempo é indescritível. Cada vez que apresentava um documento, sentia um desconforto e a lembrança constante de que algo estava errado”, disse. 

Quando soube da possibilidade de corrigir esse erro de forma gratuita, Alessandra não perdeu tempo e procurou o projeto realizado em Araguaína. "Em todos os meus documentos o nome Moraes estava estampado, como uma sombra constante que me acompanhava a cada passo; hoje saio escrevendo como verdadeiramente sou: Morais".

Paternidade

Segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), mais de 91 mil crianças foram registradas sem o nome do pai no Brasil em 2024. Realidade vivida por Crisley Suellem Tavares Rocha, de 22 anos. Mãe do pequeno Calebe, de 4 anos, ela buscou no projeto ajuda para registrar o nome do companheiro na certidão do filho.

"Eu fico muito emocionada e frustrada quando penso no meu filho na escola, onde ele vê os coleguinhas com o nome do pai nos documentos. Digo que o pai dele viaja muito, mas na verdade ele está preso", desabafou Crisley. "Quero que ele saiba que, apesar das circunstâncias, o pai dele é parte de sua vida", complementou.

No altar

Pais de quatro filhos, Saura Pereira da Silva e Amilton Rodrigues Costa estão juntos há mais de 20 anos, mas nunca oficializaram a união. Nesta semana, com o apoio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), eles saíram do mutirão com a data de casamento marcada.

"É a realização de um sonho de muitos anos. Estamos juntos há mais de duas décadas, enfrentando todos os desafios da vida e criando nossos filhos. Sempre sonhamos em nos casar. Agradecemos por nos proporcionarem essa oportunidade”, disse a noiva, lembrando que em 14 de setembro vão subir ao altar. 

Ao longo desta semana, muitas histórias emocionantes estão ganhando um capítulo especial com as ações do projeto Registro Itinerante. Em Araguaína, os atendimentos gratuitos seguem até esta sexta-feira (26/07), das 9 às 17 horas, na Escola Municipal Simão Lutz Kossobutzki. 

Ação

O projeto é iniciativa da Corregedoria Geral da Justiça do Tocantins (CGJUS) e visa promover a inclusão social da população de baixa renda, proporcionando acesso gratuito a documentos e serviços básicos do registro civil.

Em Araguaína, a ação é realizada pela diretoria do foro da Comarca de Araguaína em parceria com o Cejusc, Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais, Interdições e Tutelas de Araguaína, Prefeitura Municipal, Defensoria Pública do Estado e Ministério Público Estadual.

 


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